RSS

Moderno Amor Retro – Parte 2


É novo no blog? clique aqui e leia a parte 1

Começo a me recordar de tudo, como tudo começou, o momento em que nos conhecemos…

—- — — — —— — — —- — — —– — —- — —- — —- — —– — — —– — — — —— — — —- — –

– Francis vem ajudar moleque, larga o videogame pelo amor de Deus.

Sim… Francis sou eu muito prazer, e esse era meu pai me chamando, eu era novo mas por ter crescido no meio de adultos , minha cabeça era meio diferente de pessoas da minha idade, eu era um pouco mais “desenvolvido” ( pelo menos meu lado critico).

– Francis se você não largar agora esse videogame vou jogar essa merda no lixo!

Meu videogame era uma das únicas coisas que me faziam escapar daquele mundo.

Tinha acabado de ficar solteiro, da pior maneira possível, tinha tomado um chifre… Foi feio era minha primeira namorada, a peguei beijando um dos “populares” do bairro em um beco escuro, o que eu estava fazendo lá? Não sei, ninguém me avisou, digo hoje em dia que aquele caminho me foi mostrado por uma força misteriosa para que eu parasse de ser enganado e para que eu aprendesse uma lição valiosa, relacionamentos não prestam. Porque? Por que foi a pior sensação da minha vida…

Depois disso jurei que nunca mais iria amar ninguém, nessa época eu definia uma pessoa que ama como um anjo.

O Amar é uma sensação que te dá asas, você tem a liberdade de voar, a sensação de proteger, de cuidar, de guardar, de evoluir! Até a sensação de poder dominar o mundo, é algo quente, confortante, bom é difícil colocar isso em palavras. Até o momento que suas asas são cortadas, é ai que começa a queda, você vai do céu ao inferno em segundos.

E a sensação de estar acorrentado queimando e vendo a pessoa que você tanto amou indo embora a passos curtos fazendo você sofrer a cada metro alcançado, a chama arde mais conforme a distancia entre os dois vai aumentando. Mesmo sofrendo, você não se importa e se mutila sem medo para tentar segura-la de qualquer maneira, até o momento que você não tem mais forças.

Ai começa a recuperação, uma ferida que custa a cicatrizar, o momento que o anjo aos poucos vai recuperando suas asas mas… Não tem mais vontade de voar.

Eu era essa tal anjo, o anjo na situação de não ter a menor vontade de voar, não queria correr riscos, poderia cair novamente, para que sair do meu circulo de conforto?

– Francis, pela ultima vez venha ajudar!

Esse era o som da força misteriosa agindo na minha vida de novo, lógico que essa força não era meu pai! A força estava agindo sobre ele, porque ele na verdade não precisava de ajuda, a situação era a seguinte, estávamos recebendo alguns móveis que ele havia comprado, e tinham dois rapazes com ele os carregando para dentro, não tinha espaço para minhas mãos ali. Mas era um lugar que eu tinha que estar.

No meio dessa bagunça da entrega também tinha a mudança dos novos vizinhos do lado, estavam chegando e os nossos móveis e os deles estavam todos zoneados no corredor, e para não tumultuar muito eles estava esperando na sala de seu apartamento que ainda estava vazia, eram cinco pessoas, dava para imaginar que eram os pais, e três irmãos dois homens e… Uma princesa!

Estavam todos conversando e eu a ficava encarando, esqueci até o porquê estava ali, eu tentava disfarçar mas estava encantado, cabelos longos pretos e olhos verdes, não poderia existir uma criatura tão bela, na verdade não deveria.

Eu não conseguia me conter a encarava fixamente, foi ai que meu mecanismo de defesa entrou em ação, comecei a procurar defeitos, era assim que eu funcionava em situações parecidas, procurava algum defeito e quando encontrava me prendia neles até que me convencesse que aquilo não era uma boa ideia, mas naquele caso era impossível não tinha defeito nenhum, quando de repente percebo que ela está me encarando também, e assim que notou que eu tinha percebido espremeu seus olhos e esboçou um sorriso tímido.

Foi nesse momento que eu percebi que estava bem longe de estar dentro do meu circulo de conforto.

Continua…

 
 

Tags: ,

Uma Droga de Aniversário – Parte 1.

Lentamente abriu os olhos, os revirava procurando algum sentido, alguma familiaridade no lugar onde estava, parecia não estar entendendo o que estava acontecendo, com uma expressão de curiosidade em seu rosto, seus olhos vagavam por cada canto, observava cada detalhe minuciosamente tentando decifrar a situação, seu corpo estava dolorido, percebia-se alguns hematomas graças a alguns feixes de luz que adentravam pela janela. Estava com a boca amordaçada e com as mãos amarradas a porta do carro, com as pernas presa de modo que não tinha o que fazer, só podia esperar que aquilo fosse um sonho.

Sua cabeça não conseguia encontrar uma resposta para aquilo, era um cara que sempre andava na linha, era gentil, falava bom dia até para desconhecidos na rua, em seu bairro era conhecido como “prefeito”, sabia o nome de todos e fazia questão de cumprimentar cada um, mesmo que precisasse se deslocar de seu percurso. Pensava que talvez fosse isso, sempre tem a pessoa que se incômoda com o boa praça, de qualquer modo se perguntava se isso era motivo para um sequestro, e não saia de sua cabeça o que seria dele, era um rapaz novo, tinha a vida toda pela frente.

Era um rapaz humilde não podia ser por dinheiro, hora ou outra pensava que não valia nem a roupa que estava vestindo, porque seria sequestrado por dinheiro? Não tinha quem pagasse uma fiança decente, a família era dura, seus amigos mais ainda.

Aos poucos foi tentando se lembrar do que tinha feito aquele dia tentando encontrar aonde aquilo tinha começado.

Tinha acordado “cedo” as 9:30hs da manhã, isso era o mais cedo que conseguia acordar, se levantou e foi até a cozinha que precisava urgentemente de uma limpeza, a pia estava com uma pilhas de louça suja, era terrível tomar café naquele ambiente mas fazer o que a fome era maior que a vontade de limpar, fez seu café e um bauru com um presunto e queijo de procedência duvidosa, eram tão velhos que ele nem se recordava de quando tinha comprado.

De qualquer modo está tão desgostoso em seu trabalho que passar mal era um beneficio para ele, pelo menos sairia mais cedo. Após terminar arranjou um jeito de equilibrar mais louça naquela pia e se dirigiu para o banho. Tomou um banho demorado mais de 30 minutos, mas não porque estava tomando cuidado com sua limpeza, ficava a maioria do tempo com um olhar perdido pensando enquanto a água escoava em seu corpo.

Colocou sua roupa vagarosamente, demorava um tempão a cada peça de roupa colocada, sentava na cama e ficava olhando o chão com a cabeça vazia, não haviam pensamentos, era como se fosse um corpo sem alma aguardando ser preenchido com alguma coisa, trabalhava em um banco mas não se preocupava com a formalidade do ambiente, sempre usava uma calça jeans bem surrada com algumas manchas deixadas pelo tempo, uma camisa branca para fora da calça com as mangas dobradas de modo que parecia uma camisa de manga curta, nos pés tinha um All Star que já tinha há alguns anos, inclusive estava furado e sempre que chovia era um incomodo e furava sua meias todo dia.

Saiu de sua casa, ia a pé para o trabalho, era uma caminhada de aproximadamente 40 minutos, mas ele prezava sua saúde, achava necessário essa caminhada até o trabalho.

Parou em um boteco para tomar café de novo antes de chegar ao trabalho, pensava que já estava atrasado, qual seria o problema de atrasar um pouco mais, encontrou sua amiga de escritório, Roberta, que chegava 1 hora e meia após sua entrada. Tomou café com ela e se dirigiu ao banco.

Continua…

 
1 comentário

Publicado por em 25/03/2011 em Contos

 

Tags: , , ,

“O Sorriso do Palhaço” – Parte 2

É novo no blog? clique aqui e leia a parte 1.

Acordo cedo, é preciso ensaiar, mas antes preciso me maquiar, uma vez me permiti levantar um pouco mais tarde, e acabei indo para o ensaio sem maquiagem, esse dia marcou minha vida, dizem que a alma do palhaço é repleta de alegria, portanto a maquiagem é apenas uma persona, um complemento ao seu grande esplendor, pura mentira, aquele dia me olhando no espelho fazendo as mesmas brincadeiras e palhaçadas de costume que faziam as crianças rirem, as pessoas sorrirem, eram simplesmente tristes…. Um homem adulto, crescido, meio gordo, não era o mais feio mas com certeza não era um colírio, pulando, falando com vozes estranhas, era triste. Foi onde eu comecei a questionar a minha felicidade.

Eu sou bom no que eu faço, eu sei disso, há quem me chame de nojento, há quem diga que me falta humildade, mas não, isso é minha vida, eu tenho que ser bom no que faço se falhar nisso o que me resta? Nada! Sou solteiro, não tenho filhos, tenho poucos amigos, é… Tenho poucos amigos, depois de um tempo você começa a questionar a índole das pessoas, eu acho que isso com começou junto com a minha duvida, junto com a procura pelo meu sorriso.

Meu pai era palhaço, ele sabia como dar um show, sempre antenado usava o que estava acontecendo com o mundo em seu show, todo dia era um show diferente.

Ele queria que eu me tornasse um palhaço melhor que ele, dizia que estava em meu sangue… Bom, aqui estou mas… Mas não consigo lembrar, eu não lembro do meu sorriso, mas é claro eu não consigo nem me lembrar qual meu sonho, por que eu luto? Quais são meus objetivos? Uma pessoa não sobrevive sem objetivos,  hoje sei que estou vivendo o sonho dele, mas qual era o meu sonho? Eu era um jovem esperto, era tão dedicado como sou hoje.

Perai! Começo a me lembrar, as palavras “você jogou sua vida fora”, é verdade houve o dia em que desisti de ser palhaço para seguir meu sonho, meu sonho… Qual era mesmo o meu sonho?

Era jovem e fascinado pelo circo, mas via o circo como fã não conseguia me ver lá dentro, era tudo muito surreal, um mundo sem lógica, sem pé nem cabeça. Pessoas atirando facas de maneira absurdamente precisa, tinha a mulher barbada, um homem que entrava na jaula do tigre branco, pessoas pulando pelos ares e é claro os palhaços, os seres que tinham apenas a função de fazerem as pessoas rirem.

Não cheguei a conhecer a minha mãe, ela por complicações durante o meu parto faleceu, meu pai sempre falava dela, ela era dançarina no circo, ele falava que ela era a pessoa mais carinhosa do mundo, sempre com um sorriso doce em seu rosto, tinha os cabelos cacheados, castanhos, ela era morena com os olhos castanhos claros, olhos bem pequenos, tão pequenos que chegavam a perguntar se ela era japonesa. Minha família por parte de mãe tem descendência indígena, isso explicava seus olhos “pequenos”, ela era bem magrinha, meu pai dizia que quando ventava tinha medo até de ela sair voando por que não tinha peso para sustenta-la.
Ele sempre que falava dele ficava com o olho marejado, cheio de lagrimas, dizia que era uma mulher incrível sempre se sacrificava pensando no próximo, que aquela mulher nasceu sem um pingo de egoísmo, e ele até ficava bravo, pois ela nunca pensava nela, sempre pensando no próximo.

Isso explica algumas coisas sobre mim, eu tenho problemas com prioridades, quero que primeiro todos que estão em meu redor estejam satisfeitos, ai começo a me preocupar comigo, mas de qualquer jeito, não levo as coisas muito a sério é um se preocupar meio largado, fazendo as coisas de qualquer jeito. Fico pensando se ela estivesse aqui, se as coisas teriam sido diferentes…

Mas enfim, por ela não estar conosco eu era obrigado a passar meu tempo livre no circo, aprendi muitas coisas, inclusive que não tenho coordenação nenhuma! Uma vez tentei fazer o numero do malabares e faltei matar meu professor de vergonha, não nasci para aquilo.

Com o tempo fui afirmando na minha cabeça que não era aquilo o que eu queria, eu era mais inteligente do que habilidoso, na verdade, a minha habilidade era minha a inteligência, não conseguiria fazer as coisas “legais” do circo, nunca que conseguiria saltar no trapézio ou fazer aquelas apresentações que 50 pessoas juntas formam uma pirâmide. O que me sobrou? Viver o sonho do meu pai, mas ele amava aquilo, olhando para ele percebia-se que ele era uma pessoa realizada, tinha orgulho dele! Mas nunca houve compreensão, ele era pior que um cavalo com viseira, não enxergava o que acontecia ao seu redor. O mundo não era o mesmo, as coisas estavam diferentes.

Foi ai que eu comecei a busca por uma melhor qualidade de vida, e junto com essa busca as coisas ficaram mais difíceis na casa dos palhaços.

Continua…

 
Deixe um comentário

Publicado por em 20/03/2011 em Contos

 

Tags: , ,

Moderno Amor Retro – Parte 1

Encontro-me aqui deitado no escuro, olhando para o nada com o olhar vazio, vago, e de repente estou pensando nela, não… Não estou pensando, isso não pode ser caracterizado como pensamento, são apenas lembranças angustiantes, tudo o que nos aconteceu de melhor, cada sorriso seu, cada olhar, cada vez que você espremia seus olhos quando não tinha certeza de algo. Tudo isso se transforma em uma tempestade em minha mente, que carrega qualquer lembrança ruim, que carrega a minha sanidade… Sinto como se alguém tivesse apertando meu peito, não é possível, não me conformo, eu preciso de você, preciso sentir o gosto de seus lábios, preciso respirar o aroma de seus cabelos que me lembram daquele dia mais perfeito de primavera, preciso te segurar em meus braços e te proteger de todo mal.

É companheiro, os tempos são outros mas ainda existem alguns como eu, as colocamos em um pedestal e as adoramos como se fossem mais importantes até que nossa existência.

Atrevemo-nos a falar que vivemos uma vida vazia, apenas pelo fato de não conseguir chegar a seus corações.

Somos ridículos, se há alguém que discorde de mim, esse cara nunca teve uma paixão não correspondida.

Ali deitado, já não tinha mais nenhuma noção de tempo, teriam se passado minutos? Horas? Dias? Semanas? Não sei, para mim se passou uma eternidade onde meus pensamentos circulavam apenas sobre um motivo, uma pessoa… Ela.

Naquele quarto nada fazia muito sentido, e o pior de tudo sei que só eu posso me ajudar, eu vou sair dessa quando eu quiser sair dessa, mas… Mas não! Não posso deixar de pensar nela, não quero isso seria como se tirassem meu pulmão, não muito pior! Meu coração! Como posso viver sem uma coisa com a mesma importância do coração? Se não posso pensar nela pra que existir? Tenho certeza que meu proposito nesse mundo é estar com ela, cuidar dela, fazer ela feliz! Não sou bom em nada além de amar ela.

E nessa briga constante com meus pensamentos  de repente tudo começa a ficar longe, distante, os gritos, incertezas e conflitos em minha cabeça vão se apagando…

Quando recobro os sentidos estou na varanda de minha casa, no banco da praça que meu pai havia feito, o nosso banco! Onde passávamos horas conversando, rindo, falando de nossas vidas, nossos sonhos, e de como nos imaginávamos no futuro.

Viro-me e lá estava ela, sorrindo para mim e me cobrando seriedade, nunca fui de levar as coisas a sério, o mundo para mim era uma grande piada, mas com ela era diferente, com ela tudo fazia sentido.

Olho em seus olhos, olhos verdes, tão verdes quanto uma folha de laranjeira que acaba de brotar em um inicio de primavera, ela encosta sua cabeça em meu ombro lentamente até se aconchegar, com umas de minhas mãos massageio o seu cabelo, cabelos pretos como carvão, lisos e brilhantes que chegavam um pouco abaixo da altura dos ombros, olho para ela, sua pele clara como leite e com sardinhas nas bochechas, há! Eu era maluco por aquelas sardinhas, não havia nada mais lindo.

Me encontro encarando seus lábios, que não eram exageradamente carnudos, eram na medida certa, percebo que ela morde com leveza o canto direito de seu lábio, de repente ela se levanta me encara com firmeza e diz:

– Eu te…

Ouço um barulho ensurdecedor, abro os olhos repentinamente e estou de volta naquele quarto, demora até que minha vista se acostume com a claridade do ambiente, que era quase nula, me pergunto cadê ela? Não a vejo, minha mente começa a se organizar… Aquilo foi um sonho.

Estava encharcado de suor e com os olhos secos como se tivesse chorado enquanto estava dormindo, de repente começa aquele turbilhão de pensamentos novamente. Mas dessa vez foi diferente eles começaram com:

-Não podemos ficar juntos, o que você estava pensando? Não podemos estragar nossa amizade… É melhor… é melhor que nos afastemos por um tempo, até que tudo volte ao normal…

Aquilo veio na minha cabeça como se ela tivesse aqui na minha frente, me falando aquilo neste momento.

Continua…

 
2 Comentários

Publicado por em 15/03/2011 em Contos

 

Tags: , ,

“O Relógio e a Mente”

Era uma tarde de quinta feira, o dia estava feio, nublado, o céu encoberto por nuvens cinzentas dando aquela sensação de que eu não deveria ter saído de casa.

Tinha acabado de passar o horário do almoço, e eu estava sentado ali aguardando ser atendido, e os minutos passavam como horas provavelmente um dos dias mais longos da minha vida.

É nessas horas que sua cabeça vai longe, você pega cada coisa insignificante que está largada em sua memória e a expandi a proporções catastróficas, como se isso fosse fazer toda a diferença na sua vida, estranho a nossa cabeça não? Será que existe uma pessoa que consegue controlar esse tipo de situação.

Hipócrita é aquele que diz que não faz isso, sentado ali, pensando, tentei mudar o foco das minhas ideias para uma coisa absurda, pensava vou focar minha visão em um lugar fixo, e vou decifrar cada detalhe que o meu campo de visão pode alcançar, mas não adiantava cada quina, cada detalhe me lembrava duma situação que automaticamente era ligado a algum problema ou pendencia e de repente eu estava novamente naquele ciclo maldito, com a sensação de estar dentro de um bote, com madeiras podres no meio do oceano e ainda com o detalhe da tempestade que parece que vai rasgar tudo como se fosse uma folha de papel.

Após mais um fracasso passei a tentar me concentrar em um som do ambiente, quem nunca tentou fazer isso antes de dormir, podem me chamar de louco, mas há uma linha de som no ar, que não chega ao silencio, mas é uma linha que te dispersa de todos os pensamentos e clareia sua mente, mas eu nunca consegui ficar mais de um minuto focado a ele, de repente você já está pensando que está pensando, e de repente você está discutindo com a sua própria consciência tentando se convencer que sua mente está limpa, mas na verdade está mais perturbada do que o momento em que você estava pensando em seus problemas.

Ai de repente você se pergunta se não vale mais a pena pensar em um problema, que há a remota oportunidade de encontrar uma solução, ou ficar discutindo com você mesmo sobre a possibilidade de estar ou não pensando.

A mente é uma coisa incrível né? Não é por acaso que dizem que não usamos nem 5% de sua capacidade, um assunto delicado, alguns podem pensar em mim como louco, questionar o que eu estou falando, há! Esse cara só pode ser desequilibrado, cada o calmante desse rapaz, mas não, não sou, são coisas normais que passam na cabeça de todos em algum momento, mas ninguém tem coragem de dizer, hipócritas! Após apontar o dedo na sua cara e te chamar de louco, com certeza ele vai entrar nesse dilema interno, e vai pensar naquela noite, ou naquele momento e vai concordar, vai imaginar que aquele cara estava certo.

De repente volto a mim de novo e me vejo sentado na mesma sala, olho para o relógio e se passaram míseros 5 minutos, começo então a ficar inquieto e penso que nesse meio tempo, entre um olhar e outro no relógio poderia ter ido até o Japão e voltado engatinhando, Como pode o tempo não passar, será que tem algum segredo para isso? Será que podemos usar essa sensação de passar do tempo ao nosso favor? Engraçado isso, quando estamos agoniados e aguardando o tempo aparenta estar parado, e quando estamos ocupados, não vemos o tempo passar, imagina se conseguíssemos inverter essa situação, quando estamos agoniados a cada olhada no relógio já haveriam se passado algumas horas, e quando estamos desfrutando do momento o relógio para, estaciona, faríamos valer a expressão do minuto que parece uma eternidade…

 
Deixe um comentário

Publicado por em 04/03/2011 em Contos

 

“O Sorriso do Palhaço” – Parte I

– Respeitável publico, bem vindos ao circo! Onde localizamos cada fio de alegria que existe dentro de você e formamos em uma gigante explosão de felicidade!

Esse era o discurso inicial do host do circo, era incrível como esse cara sabia falar, eu quase me convencia de que isso era verdade, alias era verdade, as pessoas realmente se sentiam muito bem no circo, gargalhavam com todas as peripécias dos artistas que se apresentavam, riam, choravam, se enraiveciam quando os atores interpretavam vilões, se comoviam quando os mocinhos salvavam a donzela e eram tocados por qualquer coisa que acontecia.

Eu sempre ficava observando como o publico interagia com o espetáculo, o como cada cena, cada apresentação mudava suas reações: sorrisos, lagrimas, gritos, euforia!

O Sorriso do Palhaço

De repente no meio dessa reflexão eu ouço me chamarem, eu o palhaço…

Agora o foco da minha reflexão muda, a partir deste momento começo a tentar me entender, o porque eu tenho essa grande vontade de fazer as pessoas rirem, o porque isso me faz tão bem, o porque eu me preocupo tanto com os outros, mas naquele momento não me interessava aquilo era o que eu era, eu precisava ver aqueles sorrisos, não admitia falhar era a coisa mais importante do mundo, já não existia fome, miséria, desigualdade éramos todos iguais, todos rindo de um palhaço… Quando acaba aquele fervor, saio com uma sensação de missão cumprida e com sorriso no rosto dizendo hoje foi mais um dia perfeito, só que a minha euforia vai se esvairindo e de repente cai a ficha, meu sorriso some do rosto e tudo perde o sentido, começo a pensar de cada sorriso daquele picadeiro, mas não consigo lembrar do meu sorriso, aquilo era apenas uma felicidade por estar causando felicidade.

Perai causar felicidade, isso é maravilhoso, as pessoas quando riem esquecem os problemas, elas por um momento encontram um sentido pra tudo, ela se sente invencível pensando que pode lidar com todo tipo de situação, como isso pode ser uma coisa ruim… Bom isso não é uma coisa ruim, mas agora vamos parar com eles isso e eles aquilo, vamos focar aqui, nesse momento estamos falando deste palhaço, não me lembro da ultima vez que tive vontade de sorrir.

Tento entender como uma pessoa que foi feita para fazer as pessoas rirem, não ter vontade de rir, será que isso me faz bem? Será que eu por um momento não tomo a alegria que eu proporciono como minha? Quantas perguntas… Desde que coloquei esse nariz vermelho no rosto, não consigo respondê-las.

Um dia eu ouvi dizerem como pode um palhaço estar triste? Aquela figura que alegra tanto, que está sempre pulando de um lado pro outro, e a hora da torta, ha! Não tem como um palhaço estar triste, ele não conseguiria disfarçar… Os palhaços devem ser as pessoas mais felizes do mundo. É… Não somos, talvez sejamos até o contrário, as pessoas mais infelizes que por orgulho não deixamos saberem o que realmente sentimos, em um ato de desespero fazemos as pessoas rirem para que nossa alma azul fique disfarçada. Nos encolhemos a qualquer demonstração de afeto como se fossemos lesmas quando são expostas ao sal ou sol.

Quando digo “nós” não quero falar por todos os palhaços, quem sou eu para querer falar por eles… Mas tenho certeza que falo por muitos, e que eles com certeza compartilham desse sentimento de insatisfação, estamos perdidos, a única certeza que temos é quando estamos dentro daquele picadeiro, e sempre tentamos e “fazemos a risada” da melhor maneira que se pode fazer.

Continua….

 
Deixe um comentário

Publicado por em 26/02/2011 em Contos

 

Tags: , ,